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"Nossas avaliações ajudam a reter bons professores, que passam a ganhar mais"

No ano em que está previsto o início do Exame de Ingresso na Carreira Docente no Brasil, o coordenador de avaliação de professores no Chile conta o impacto das provas e os desafios para implementá-las

Anderson Moço

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Jorge Manzi. Foto: Marina Piedade
Jorge Manzi

Poucas nações em desenvolvimento têm tantos motivos para se orgulhar dos avanços recentes na Educação como o Chile. Em meados dos anos 1990, o governo resolveu enfrentar o problema da falta de qualidade na área e fez uma ampla reforma no Ensino Básico, incluindo o currículo, a avaliação e a formação dos educadores. Os resultados não tardaram a aparecer. No Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, sigla em inglês) de 2009, o país apresentou o segundo maior crescimento dentre os 65 participantes e hoje é o 45º do ranking (o mais bem colocado entre os latino-americanos). O Brasil, para efeito de comparação, ocupa o 53º lugar.

As medidas mais elogiadas por especialistas para alcançar esse sucesso têm relação com a avaliação de desempenho de professores, processo que o Brasil começa a colocar em cena somente agora, em 2012. Os chilenos têm dois grandes testes: o Sistema de Avaliação de Desempenho Profissional Docente (obrigatório para todos os educadores) e o Programa de Certificação de Excelência Pedagógica (de adesão voluntária, que seleciona os melhores para serem formadores, garantindo um bônus salarial).

Realizados desde 2003, ambos são coordenados por Jorge Manzi, doutor em Psicologia pela Universidade da Califórnia (Ucla), nos Estados Unidos, e diretor do Centro de Medição da Pontifícia Universidade Católica do Chile (Mide UC). Em visita ao Brasil a convite do Instituto Superior de Educação de São Paulo - Singularidades, na capital paulista, ele concedeu esta entrevista a NOVA ESCOLA.  

Por que é tão importante avaliar o desenvolvimento profissional dos professores?
JORGE MANZI
Sabemos que a formação inicial desses profissionais, por melhor que seja, é insuficiente. Tanto é assim que eles mesmos se sentem inseguros em relação à própria prática e necessitam de devolutivas constantes sobre seu desempenho. Não há mecanismo de autorregulação mais poderoso do que um processo de análise que permita saber o que e onde melhorar. No Chile, temos consciência de que nossos educadores não são exatamente os que gostaríamos de ter. Mas isso não significa que pretendemos substituí-los. Nosso objetivo é trabalhar para que eles consigam aprimorar continuamente sua prática em sala de aula.

Quais são as características do programa de avaliação chileno?
MANZI
Ele é composto de dois testes. O primeiro é o chamado Sistema de Avaliação de Desempenho Profissional Docente, com foco na análise de desempenho em sala de aula, obrigatório para todos os professores que lecionam em escolas públicas e repetido a cada três anos. O segundo é o Programa de Certificação de Excelência Pedagógica, que chancela os profissionais mais bem qualificados. Vale ressaltar que só pode fazer a prova de certificação quem conquista um desempenho satisfatório no Sistema de Avaliação.

=== PARTE 2 ====
=== PARTE 3 ====

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Publicado em NOVA ESCOLA Edição 250, Março 2012.

 

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