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Ensino enclausurado

Mesmo em unidades-modelo, Educação para jovens internados sofre para conjugar a aprendizagem de conteúdos e a preparação para a cidadania

Bianca Bibiano e Rodrigo Ratier, de Curitiba e Ponta Grossa, PR. Colaborou Victor Malta

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Foto: Raoni Maddalena
HORA DE RECOMEÇAR Nas instituições de internação, a meta é ter a Educação como pilar para a ressocialização

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Reportagem

Sefora Mileo Eisner, 49 anos, é professora de Educação Física em Ponta Grossa, a 113 quilômetros de Curitiba. Ela leciona num lugar com estrutura invejável, com campo de futebol, ginásio coberto, teatro de arena, consultório odontológico e médico à disposição. Mas também com muros altos, arame farpado e circulação controlada por seguranças. Sefora trabalha em uma instituição de internação de jovens, o Centro de Socioeducação (Cense) Ponta Grossa, considerado modelo. No fim da aula, em vez de ir para casa, cada um de seus alunos se recolhe a uma cela individual com chuveiro, privada e cama de alvenaria. Enclausurados por uma pesada porta de ferro com uma portinhola que dá vista para o corredor, eles fazem suas refeições e leem ou ouvem música até as 10 da noite, quando a luz se apaga e convida ao sono em finos colchonetes. "É uma estrutura mais digna que uma penitenciária, mas segue sendo uma privação de liberdade. Essa condição muda tudo no trabalho pedagógico", explica Sefora.

Há outras diferenças entre a escolarização regular e a de jovens que cumprem medidas socioeducativas, como a lei denomina as punições a adolescentes que cometeram delitos (a internação por até três anos é a mais severa delas). Em geral, os estudantes apresentam um histórico de abandono escolar e múltiplas repetências, pontuando trajetórias pessoais atravessadas pela violência e pelas drogas - de acordo com um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 86% eram usuários antes da internação. O cenário apresenta uma tarefa complexa para os professores: além de abordar os conteúdos de cada disciplina, espera-se que eles discutam cidadania e ainda trabalhem valores e atitudes, ajudando os jovens a se afastar do crime quando voltarem à liberdade.

Para conhecer melhor a situação do ensino nas unidades de internação, lar de 14 mil jovens em todo o país - 96% homens -, NOVA ESCOLA visitou quatro instituições, duas no Paraná (o já citado Cense Ponta Grossa e o Cense Joana Miguel Richa, em Curitiba, exclusiva para meninas) e duas em São Paulo (uma delas para internações provisórias, de até 45 dias). Apesar de algumas práticas de destaque, ainda há um longo caminho a percorrer. Como resume Mário Volpi, coordenad or do Programa Cidadania dos Adolescentes do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef): "É raro encontrar unidades em que a Educação seja o eixo central para a discussão da vida em sociedade".

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Publicado em NOVA ESCOLA Edição 236, Outubro 2010.

 

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