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Trabalho de campo sobre a paisagem

Etapas de pesquisa progressivamente mais complexas, amparadas por registros em texto e fotografia no caderno estimulam os estudantes a afinar o olhar e interpretar melhor a paisagem do entorno

Bruna Nicolielo

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Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10

Colocar a garotada diante de um mundo a ser decifrado √© uma das miss√Ķes da Geografia. E uma das melhores estrat√©gias para isso √© conduzir etapas de pesquisa de campo sobre a leitura da paisagem com um aprofundamento cada vez maior (leia a sequ√™ncia did√°tica)."Ler a paisagem √© descobri-la. √Č identificar sistemas naturais e culturais de modo a entender as rela√ß√Ķes entre a eles e se sentir parte desses processos", diz Solange Lima-Guimar√£es, professora de Geografia da Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho (Unesp), campus de Rio Claro.

A paisagem, um dos conceitos estruturantes da disciplina, revela uma din√Ęmica que combina tempo e m√ļltiplas a√ß√Ķes conduzidas por diversos agentes. Por isso, voc√™ deve levar seus alunos a perceb√™-la, observ√°-la e descrev√™-la, interpretando seus significados objetivos e subjetivos.

Segundo o ge√≥grafo sino-americano Yi-Fu Tuan, que desenvolveu metodologias de percep√ß√£o ambiental, a observa√ß√£o leva a constru√ß√Ķes de imagens sobre nosso meio ambiente e, consequentemente, traduz os graus de compreens√£o que temos da paisagem. Esse processo tamb√©m pode conduzir a leituras distorcidas e √† atribui√ß√£o de valores ligados a uma percep√ß√£o estereotipada. Para a turma de 9¬ļ ano da EEFM Professor Arruda, em Sobral, a 239 quil√īmetros de Fortaleza, por exemplo, a caatinga era um ambiente com vegeta√ß√£o pobre e seca.

Apesar de ser a paisagem dominante na cidade, os alunos reproduziam vis√Ķes simplificadoras. Foi o que constatou Maria N√≠ceas Oliveira Fran√ßa, vencedora do Pr√™mio Victor Civita - Educador Nota 10 (leia mais sobre o projeto na √ļltima p√°gina), quando pediu que eles redigissem um texto sobre o lugar onde vivem. Depois de examinar as produ√ß√Ķes, a professora quis desconstruir a vis√£o que eles tinham do seu entorno. Ela organizou, ent√£o, um projeto que previa, inicialmente, sua pr√≥pria imers√£o no modo de ser e viver dos alunos. Foi a campo para conhecer os lugares onde os jovens moravam, entrevistar seus familiares e registrar tudo em imagens.

A observação e a descrição como pontos de partida

Uma boa abordagem introdut√≥ria, antes da sa√≠da a campo, √© fazer uma pesquisa pr√©via dos elementos que constituem a paisagem. Esse estudo pode ser apoiado em textos, na sistematiza√ß√£o das observa√ß√Ķes que os alunos j√° fizeram em seu cotidiano e em material fotogr√°fico - como fez Maria N√≠ceas. Inicialmente, ela debateu os conceitos de paisagem, lugar e territ√≥rio com base em imagens de diferentes biomas brasileiros extra√≠das das mais diversas fontes de pesquisa. Por fim, tamb√©m apresentou as fotografias tiradas em campo. Por meio desse levantamento, a turma p√īde problematizar, formular quest√Ķes e levantar hip√≥teses que demandavam outras investiga√ß√Ķes e exigiam novos conhecimentos.

Antes de uma sa√≠da a campo, por√©m, √© preciso elaborar objetivos claros, que devem estar inseridos em uma problem√°tica. Tamb√©m √© fundamental fazer uma visita pr√©via ao espa√ßo de pesquisa. Para as anota√ß√Ķes, o ideal √© que cada aluno tenha seu pr√≥prio di√°rio de campo ou caderno de brochura. √Č poss√≠vel, ainda, confeccionar fichas, com t√≥picos sobre o que se pretende descobrir durante o estudo in loco.

Fotografias tamb√©m servem como instrumentos para a an√°lise dos jovens. Uma oficina preparat√≥ria pode ajud√°-los a manusear a m√°quina fotogr√°fica. Eles devem ser instru√≠dos sobre enquadramento e profundidade, al√©m de serem estimulados a fotografar livremente. Em tempos de tecnologia cada vez mais acess√≠vel, por√©m, √© preciso estabelecer limites. "Com c√Ęmeras digitais, os alunos ficam tirando fotos sem pensar muito. Eles precisam ficar livres, sim, mas h√° de ter crit√©rio. Durante a prepara√ß√£o, pe√ßa que eles n√£o saiam disparando, mas tirem apenas 12 fotos", sugere Antonio Davi Gutierrez Antonio, coordenador de projetos do Centro Paula Souza, em S√£o Paulo, e formador de professores de Geografia. A entrevista, outra ferramenta importante, deve ser planejada com anteced√™ncia, mas aberta a adapta√ß√Ķes no campo, √† medida que surgirem oportunidades e interesses. Ela pode ser gravada ou n√£o, dependendo das escolhas do grupo. Em sala, os alunos podem debater o que √© mais importante descobrir, de acordo com o objetivo inicial da atividade, e elaborar uma lista de perguntas.

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Publicado em NOVA ESCOLAEdição 240, Mar√ßo 2011,

 

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