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O que nos une também nos explica: o ensino da história e cultura afro-brasileira

Palavra de especialista
Estudantes e livros didáticos muitas vezes trazem visões estereotipadas sobre a história dos países e dos povos africanos. Desafio para os professores é investir na própria formação e criar ações que apresentem aos alunos novos elementos para as reflexões sobre o tema

Juliano Custódio Sobrinho

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1. Ensino sobre o tema enfrenta visões estereotipadas

Ensino sobre história e cultura afro-brasileira. Aula de Juliano Sobrinho. Foto: Marcos Rosa
Juliano Custódio Sobrinho, professor do curso de História da Universidade Nove Julho (Uninove). Foto: Gabriela Portilho
Juliano Custódio Sobrinho, professor do curso de História da Universidade Nove Julho (Uninove)

"Daí a ênfase que dou (...) não propriamente à análise de métodos e técnicas em si mesmos, mas ao caráter político da educação, de que decorre a impossibilidade de sua neutralidade." (Paulo Freire)


Em 2012, durante os dias em que me dediquei como selecionador a ler projetos enviados por professores para concorrerem ao Prêmio Victor Civita, recebi um email de um ex-aluno da faculdade em que leciono relatando a dificuldade de ensinar os assuntos ligados à história africana e cultura afro-brasileira na escola em que trabalha. Segundo ele, seus alunos apresentavam uma visão muito negativa da figura do afrodescendente e dos elementos desse antepassado que se somaram à história do Brasil ao longo do tempo.

Palavras usadas por seus alunos expunham visões estereotipadas sobre o passado escravista e o período pós-abolição. Mais do que isso, a preocupação daquele professor estava em entender por que muitos recursos utilizados em sala de aula, como o próprio livro didático, corroboravam a perspectiva apresentada por esses alunos.

Ao tentar verificar se seus alunos conseguiam conectar a história do continente africano com a história do Brasil, o professor se frustrou ainda mais. Ele percebeu que os alunos vislumbravam uma África sem diversidades econômicas, sociais e culturais. Um território empobrecido, caótico e contaminado pelas mazelas humanas e pelo vírus da Aids.

As informações difundidas nos meios de comunicação e pelo senso comum pareciam ter causado grande efeito na cabeça daqueles alunos e criado a percepção de que nada de positivo poderia ser extraído de um continente fadado à miséria. Parecia difícil que surgissem do debate com eles noções sobre a diversidade dos povos africanos. Mais do que isso, eles não conseguiam perceber que nem todas as nações africanas hoje se consomem em miséria e em conflitos civis e étnicos.

Qualquer tentativa de aproximação entre o passado africano com a nossa história - e aquilo que nos une enquanto povos que em alguns momentos históricos entrecruzaram suas trajetórias - parecia não fazer sentido para os estudantes.

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Publicado em Agosto de 2013.
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