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Filmes para ensinar os tipos de discurso

O cinema permite trabalhar conteúdos curriculares importantes, como as diferenças entre o discurso direto e o indireto. "Luzes da Cidade", de Charles Chaplin, se aplica bem a essa proposta

Kika Salvi

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Sessão de cinema. Foto: Pedro Motta
Sessão de cinema | Cristiane exibe o filme Luzes da Cidade na íntegra para a turma

Por despertar as emoções e a vontade de falar, o cinema funciona como um trampolim para a expressão oral e escrita. Recurso especialmente útil nas aulas de Língua Portuguesa, ele apresenta, assim como a literatura, as marcas temporais valorizadas nas narrativas (como o uso de advérbios e de diferentes tempos verbais) e facilita o ensino dos discursos direto e indireto.

Os filmes mudos, em especial, favorecem esse aprendizado (veja a sequência didática). Neles, as legendas ajudam a marcar a diferença entre os dois tipos de discurso, uma vez que a narrativa lança mão do discurso direto para apresentar as falas dos personagens. "O cinema mudo deixa muito evidentes as características de ambos e em que momentos devemos usá-los", comenta Silvinha Meirelles, coordenadora do Cine-Educação, programa da Cinemateca Brasileira.

Para desenvolver um trabalho eficiente, é importante adotar algumas estratégias. Tudo começa com um bom planejamento. A escolha do filme deve levar em conta o repertório e as preferências da garotada, mas deve-se extrapolar o que é conhecido, apresentando outras referências cinematográficas. "Vale se basear na realidade do aluno, mas não se limitar a ela. O professor não pode ter medo de ampliar horizontes, mesmo enfrentando a eventual rejeição inicial dos estudantes", explica Marcos Napolitano, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP) e especialista na utilização do cinema com fins didáticos. Definido o filme que será exibido, é preciso vê-lo antes do início do trabalho. Ler críticas sobre a obra ajuda a enriquecer as discussões com a meninada.

O prazer de assistir a um filme e admirar as características da linguagem cinematográfica deve ser valorizado, mas é preciso deixar claro aos alunos que se trata de uma atividade escolar, que tem uma intencionalidade. Se o objetivo é escrever uma resenha, por exemplo, eles devem ser orientados a anotar partes do enredo que julguem interessantes durante a exibição. Isso os ajudará a retomar pontos importantes da história. "Esse momento deve ser seguido de debate e de algum tipo de produção escrita", sinaliza Napolitano.

=== PARTE 2 ====

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Publicado em NOVA ESCOLA Edição 244, Agosto 2011.

 

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