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Como trabalhar a segmentação convencional das palavras

"É para escrever tudo junto ou separado?". Confira como trabalhar essa dificuldade tão comum na alfabetização inicial

Elisa Meirelles

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=== PARTE 1 ====

A separação entre as palavras de uma frase, embora automática para um escritor proficiente, pode causar dúvidas nos alunos que estão começando a ter contato com a língua escrita. Cabe ao professor criar oportunidades e propor atividades sobre o tema.

Na EMEF Senhora Valentina Silvina Santos, em Lauro de Freitas, região metropolitana de Salvador, Rutinalva Sena planeja situações para trabalhar o tema nas aulas para os anos iniciais da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Uma delas é apresentar um texto memorizado pelos estudantes, sem espaços entre as palavras, e questioná-los sobre o que fazer para separá-las.

Antes de conhecer o passo a passo da sequência dela, é essencial entender como os alunos, independentemente da idade, lidam com a questão. Eles procuram reproduzir no papel o que escutam e falam. Mas nem sempre essa estratégia funciona. Como mostram Emilia Ferreiro e Ana Teberosky no livro Psicogênese da Língua Escrita (300 págs., Ed. Artmed, tel. 0800-703-3444, 52 reais), "os espaços em branco entre as palavras não correspondem a pausas reais na locução, mas separam entre si elementos de um caráter sumamente abstrato".

Quando a turma está começando a escrever, podem surgir dois fenômenos: a hipossegmentação (as palavras são escritas juntas, como eraumavez) e a hipersegmentação (os termos são separados de modo excessivo, como em baixo). É possível ainda haver textos com os dois fenômenos: aí temos a hipo-hipersegmentação.

Certamente você já se deparou com esses casos: muitos estudantes, quando começam a escrever, põem uma letra seguida da outra, sem espaços. Aos poucos, no entanto, vão se dando conta de que as divisões existem e tentam utilizá-las. Surgem aí as primeiras dúvidas. Palavras com poucas letras, por exemplo, tendem a ser aglutinadas à seguinte: acasa e tecontar. À medida que deixam essa ideia de lado e compreendem que existem artigos, preposições e palavras pequenas, eles começam a aplicar a mesma lógica em outras situações e às vezes chegam ao extremo oposto (a hipersegmentação). Passam, assim, a fazer separações além do necessário, de acordo com Marly Barbosa, professora na EMEF Antônio Carlos Andrada e Silva, em São Paulo, e formadora de professores do Programa Ler e Escrever da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.

Mais que um problema, esses deslizes são a prova de que a turma está pensando sobre a divisão das palavras. A aprendizagem leva tempo e atividades específicas devem ser incluídas no planejamento das aulas.

=== PARTE 2 ====

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Publicado em NOVA ESCOLA Edição 261, Abril 2013. Título original: "É para escrever tudo junto ou separado?"
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