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Naomar Monteiro de Almeida Filho fala sobre mudanças no Ensino Superior

Idealizador de uma nova organização universitária, o reitor da Federal da Bahia explica como futuros professores poderão estudar, em breve, lado a lado com estudantes de Medicina e de outras áreas

Roberta Bencini

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A evasão nas universidades brasileiras é assustadora. Nas públicas, 40% dos alunos desistem dos cursos de graduação porque os currículos não atendem às necessidades e expectativas de cerca de 30% dos matriculados. Na Universidade Federal da Bahia (UFBA), da qual Naomar Monteiro de Almeida Filho é reitor desde 2002, 37% dos estudantes abandonam o sonho de ter um diploma. "Não podemos mais ser coniventes e omissos. O sistema atual é ultrapassado e injusto demais. O Ensino Superior precisa mudar", afirma ele, colocando em pauta a necessidade de universalizar o acesso às faculdades e revisar os currículos.

Nos últimos três anos, a missão desse médico epidemiologista tem sido divulgar em encontros uma proposta de combate à epidemia da evasão, da má qualidade da Educação e da falta de vagas. O movimento conhecido como Universidade Nova foi adotado pelo Ministério da Educação (MEC) num decreto assinado em agosto de 2007 que instituiu o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). "Uma conquista sem precedentes", comemora o reitor. A meta, em dez anos, é dobrar (de 680 mil para 1,4 milhão) o número de estudantes de graduação.

Saiba mais sobre essa proposta na entrevista a seguir. O reitor dispensa o tratamento de magnífico e pede para ser tratado pelo primeiro nome.

Quais são as principais mudanças propostas para as universidades brasileiras?
Naomar Monteiro de Almeida Filho Pautar os currículos universitários numa trajetória pedagógica flexível. A boa notícia é que o decreto aprovado pelo MEC em agosto prevê que, até 2012, todas as federais terão de criar currículos compatíveis entre si - e baseados em ciclos e na interdisciplinaridade, como a UFBA promete já para 2008. Aliás, espero que nossa experiência sirva de inspiração para outras instituições. Segundo esse projeto, para conseguir um diploma, o jovem terá de fazer um primeiro ciclo de formação geral, dividido em blocos e com uma série de disciplinas de diferentes áreas do conhecimento. A profissionalização terá lugar no último ciclo, contemplando graduação e pós-graduação ao mesmo tempo.

Por que é preciso mudar o modelo atual?
Naomar
Estamos atrasados, seguimos um modelo do século passado! Ele tem efeitos sociais perversos, como a escolha precoce da profissão só porque o sistema de formação exige isso no início. O que rege os interesses atuais é a profissionalização. Na Escola Politécnica da UFBA, existe uma disciplina conhecida como Introdução às Engenharias. Os calouros são recebidos num grande curso para aprender mais sobre a carreira e as diretrizes do curso. Mas para que servem essas informações nessa altura do campeonato? Eles já optaram. O resultado é que muitos abandonam os estudos e, por isso, temos esses altíssimos índices de evasão, que são um verdadeiro massacre de jovens.

=== PARTE 2 ====
=== PARTE 3 ====

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Entrevistas com especialistas de diversas áreas, organizadas por ordem alfabética de sobrenome

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Publicado em NOVA ESCOLAEdição 206, Outubro 2007,

 

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