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Beatriz Aisenberg fala sobre leitura em História e Geografia

A pesquisadora argentina afirma que, para formar leitores autônomos, cabe aos professores ouvir o que os alunos entenderam sobre os textos

Anderson Moço, de Buenos Aires, Argentina

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De um lado, estudantes com dificuldade de interpretação de textos sobre História e Geografia. De outro, mestres que julgam ser a leitura conteúdo das aulas de Língua. Para a pesquisadora argentina Beatriz Aisenberg, docente da Universidade de Buenos Aires e especialista em Didática das Ciências Sociais, esse é um dos grandes problemas a serem enfrentados pela escola. "Ensinar a interpretar é, sim, trabalho dos professores das diferentes disciplinas."

Licenciada em Ciências da Educação, Beatriz investiga a relação da leitura no ensino e na aprendizagem de História há mais de dez anos. Considerada uma das precursoras das investigações em Didática das Ciências Sociais (disciplina que na Argentina inclui conteúdos de História, Geografia e de temas relacionados à política e à economia), ela faz parte de um grupo de pesquisa que procura descobrir quais as condições de trabalho que promovem a aprendizagem de Ciências Sociais. As aulas de educadores voluntários da capital argentina são gravadas e analisadas por especialistas liderados por Beatriz. O foco do trabalho são os polivalentes do nível primário (que lá vai até o 7º ano). Mas ela garante: "Os especialistas podem ajudar ainda mais a garotada a entender os textos de cada área". Nesta entrevista, concedida em seu apartamento, Beatriz explica como fazer isso.

Qual a principal queixa dos professores em relação às atividades de leitura em Geografia e História?
BEATRIZ AISENBERG
A de que as crianças não sabem ler e interpretar bem. Porém boa parte dos problemas não tem a ver com a habilidade geral de leitura. As pesquisas psicolinguísticas mostram que essa não é uma competência geral que se aplica a tudo - sei ler uma carta, sei ler qualquer coisa. É um processo complexo entre o leitor e o que ele lê. Isso se acentua ainda mais quando falamos de História, por exemplo. O entendimento de um texto dessa área tem muito a ver com o que o leitor já sabe sobre ela. Se ele não possui um marco de conhecimento, a compreensão se torna muito difícil.

De onde vem a dificuldade dos alunos nas atividades de leitura?
BEATRIZ
Por acreditarem na ideia de que ler é uma tarefa fácil, muitos educadores deixam os estudantes sem ajuda nesse momento. Meu grupo de pesquisa busca caracterizar as condições didáticas que permitem oferecer a eles o apoio necessário para que comprendam os textos e aprendam história por meio da leitura. Sem ajuda, é claro que eles têm dificuldade - ora, se soubessem ler, não precisariam ir à aula. Por isso, a escola deve ir progressivamente formando leitores. A autonomia não é algo que se constrói em uma semana. Há muitas intervenções a serem feitas pelo docente para que todos consigam ir compreendendo os textos das diferentes áreas e, com isso, adquirindo mais fluidez e independência nas práticas de leitura.

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Entrevistas com especialistas de diversas áreas, organizadas por ordem alfabética de sobrenome

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MARIA LUISA DOMINGUES FERREIRA - Postado em 16/11/2011 17:33:06

OLÁ BEARTIZ ESTOU FAZENDO MINHA DISSERTAÇÃO DO MESTRADO NESTE TEMA TB, COMO TRABALHO A GEOGRAFIA É SIM DE SUMA IMPORTÂNCIA QUE O ALUNO SAIBA LER E COMPREENDER OS TEXTOS.UM GRANDE ABRAÇO.

Denise Corrêa de Alencar - Postado em 11/10/2010 12:01:03

Sra. BEATRIZ Parabéns pela matéria. Fui Coordenadora e sempre defendia a mesma linha, mas como era fácil para alguns e difícil (cômodo) para outros entenderem!!! Quantas vezes os professores de história comentavam que os alunos falavam que para que aprender sobre as coisas do passado? Adorei, Parabéns.

Leila Soares Santana - Postado em 07/10/2010 09:50:56

Adorei essa entrevista. Quando Beatriz nos conduz a uma reflexao da prática, especialmente quando nos faz pensar sobre o ato de planejar, do lugar de perceber como os alunos aprendem ou que condições didáticas estamos oferecendo para garantir que os alunos sejam leitores plenos e compreendam o que estao lendo. Quero me desculpar pelo equívoco no nome da pesquisadora.



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Publicado em NOVA ESCOLAEdição 235, Setembro 2010, com o título "É preciso ensinar a ler em História e Geografia"

 

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