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Martin Carnoy: "Aproveitar melhor o tempo de aula é o caminho cubano"

Pesquisa de economista americano, realizada em países da América Latina, mostra que as práticas de classe são o motivo do sucesso na ilha

Rodrigo Ratier

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Foto: Marina Piedade
MARTIN CARNOY "Em Cuba, a turma trabalha mais, as perguntas do educador levam todos a pensar e ele não para a toda hora para pedir atenção."
Foto: Marina Piedade

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Em 1997, uma pesquisa conduzida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) testou os conhecimentos em Matemática e linguagem de 4 mil alunos de 3ª e 4ª séries de 13 países latino-americanos. Os cubanos têm desempenho muito melhor que os das outras nações.

Em 2005, num novo exame, novamente Cuba ocupou o topo da lista. Qual o segredo da ilha para obter resultados tão bons? A pergunta motivou Martin Carnoy, que leciona Educação e Economia da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, a realizar um estudo comparativo entre Cuba, Chile e Brasil.

Após filmar aulas de Matemática (disciplina em que o desempenho foi mais desigual nos três países) em 36 escolas e entrevistar funcionários da área de Educação de todos os níveis de governo, além de professores, diretores, estudantes e pais, o americano concluiu que boa parte das diferenças está dentro das próprias salas.

"Em Cuba, a turma trabalha mais, as perguntas do educador levam todos a pensar e ele não para a toda hora para pedir atenção." Isso, no entanto, dentro de um ambiente ideologizado e repressivo, o que sugere a necessidade de adaptar as soluções para um contexto democrático. A convite da Fundação Lemann, Carnoy esteve no Brasil em agosto de 2009 para lançar o livro A Vantagem Acadêmica de Cuba, em que relata as descobertas da pesquisa. Na ocasião, ele detalhou a NOVA ESCOLA o que viu nos três países.

De acordo com sua pesquisa, por que os alunos de Cuba obtêm resultados superiores aos dos outros países da América Latina? 
MARTIN CARNOY
Há diversos fatores em jogo, mas eu diria que o principal é o uso eficiente do tempo em sala. Filmamos aulas de Matemática da 3ª série em 36 escolas de Cuba, do Chile e do Brasil e descobrimos que, na ilha, elas são mais focadas na aprendizagem do que nos outros dois países. Como escrevo em meu livro, a qualidade de um sistema educacional depende da qualidade das experiências desenvolvidas em sala de aula.
 
Com qual atividade o professor brasileiro gasta mais tempo?
CARNOY
Com o trabalho em grupo. Na média das escolas em que pesquisamos, 30% do tempo é dedicado a essa tarefa. No Chile, o índice foi ainda maior, 34%, enquanto em Cuba caiu para 11%. O grande problema é que, na maioria das vezes, os brasileiros estão apenas sentados juntos, ou seja, com as carteiras unidas, mas sem interagir para resolver problemas matemáticos. Cada um trabalha por si ou apenas conversa com os colegas. O verdadeiro trabalho em equipe, que inclui a discussão para resolver a questão proposta, ocorre muito pouco tanto no Brasil como no Chile. 

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Emerson Silva de Souza - Postado em 19/02/2010 17:31:10

Sou professor e também trabalho com formação continuada de professores em Parauapebas-PA. Quero parabenizar a Revista Nova Escola pela materia publicada, sobre o trabalho do Prof. Carnoy, que veio fortalecer e mostrar claramente a realidade educacional de nosso país sobre alguns concepções. Resta a nós educadores refletir e agir sob tal realiade à nossa contribuição.

Diego Máicon Souza Santos - Postado em 03/02/2010 11:57:30

O trabalho de Carnoy é de grande contribuição. Agora cabe a cada um entrar no jogo e participar na construção de uma educação de qualidade, ressaltando as qualidades e corrigindo as falhas.

Sonilda Sampaio Santos Pereira - Postado em 13/12/2009 21:49:00

Como todos os que me antecederam nesta página, também parabenizo a Revista Nova Escola pela reportagem. Enquanto educadora no exercício de gestão e de sala de aula, há algum tempo reflito e firo a tecla: ESTAMOS PERDENDO TEMPO ÚTIL NA ESCOLA. A pesquisa de Martim Carnoy me alentou. Penso que, dentre os desvios da educação brasileira, está a falta de compromisso com o tão falado TEMPO REAL DE AULA. Registro minha lamentação!!!!!



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Publicado em NOVA ESCOLAEdição 227, Novembro 2009,

 

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