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Conheça escolas em bairros pobres com Ideb acima de 6

Foco na aprendizagem dos alunos garantiu bons resultados

Anna Rachel Ferreira, de Pedra Branca, CE. Bruno Mazzoco e Elisa Meirelles, de Palmas, TO, e Acreúna, GO

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Conheça escolas em bairros pobres com Ideb acima de 6. Foto: André Menezes
Maria Janete, diretora

No sertão cearense, no alto de uma serra, banhada pelo sol escaldante, se encontra a EM Maria Alves de Mesquita. A cidade é Pedra Branca, a 262 quilômetros de Fortaleza. A 1,5 mil quilômetros dali, na periferia de Palmas, em meio ao clima seco e nuvens de poeira, está a EM Beatriz Rodrigues da Silva. Descendo em direção ao centro do país, em Acreúna, a 154 quilômetros de Goiânia, fica a EM João Batista Filho. Embora distantes umas das outras, as três escolas têm muito em comum, de acordo com o estudo Excelência com Equidade, da Fundação Lemann: estão em bairros pobres, atendem alunos de baixa renda e tiveram resultados acima do esperado no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

NOVA ESCOLA visitou as três instituições e conversou com gestores, professores, pais e alunos para entender quais práticas levaram a esse desempenho. Entre os pontos comuns estão o envolvimento das famílias, o foco na formação docente, o compromisso de todos os educadores com a aprendizagem, o trabalho em equipe e o uso da avaliação como instrumento de análise e melhoria das práticas de sala de aula.

Maria Janete Braga de Souza chegou à direção da EM Maria Alves de Mesquita em 2010, depois de trabalhar como coordenadora pedagógica e professora na mesma instituição. Logo que assumiu, decidiu acompanhar de perto o desenvolvimento e as dificuldades das turmas e dos professores, sem negligenciar as demais áreas da escola. Para isso, conversou individualmente e em grupos com todos os funcionários.

As questões mais apontadas pelo corpo docente eram indisciplina, desatenção e constantes faltas dos alunos. Na maioria dos casos, "frutos de problemas familiares", conforme definiam os professores. Janete, então, propôs um atendimento próximo às famílias. "O aluno faltava três dias, a gente já buscava em casa", explica Edijanira Maria Gomes de Oliveira, secretária da escola. Quem ia a essa visita era o vigia, Venílson Barbosa Pereira, levando um comunicado que solicitava a presença dos responsáveis para uma conversa. Na reunião, a escola sugeria que voltassem a estudar. Foi assim que Raimundo Alves Fernandes e Maria Rozeli Rodrigues Gonçalves se tornaram alunos na mesma instituição em que a filha, Marli Gonçalves Fernandes, cursa o 1º ano. "Depois que eu voltei para a escola, meus filhos acharam legal porque sei mais coisas", comemora a mãe.

Prática semelhante foi adotada na EM Beatriz Rodrigues da Silva. Quando a escola, criada em 2006, recebeu os primeiros resultados do Ideb, viu que havia muito o que melhorar. Leila Roque, que dirigia a instituição na época e hoje trabalha na Secretaria Municipal de Educação, decidiu investigar o que as escolas de Palmas com bons resultados faziam de diferente. "Minha intenção era buscar exemplos que pudessem ser adaptados à nossa realidade." As conversas lhe trouxeram, entre outras, uma informação importante: essas instituições contavam com um regimento interno bastante completo e acordado com as famílias.

De volta à escola, Leila reuniu os educadores e propôs a construção do documento. Maria de Fátima Pereira Sena, que hoje dirige a escola, era professora de Língua Portuguesa na época e participou ativamente do processo. "Ficou claro que o envolvimento dos responsáveis era essencial, mas tínhamos de saber como orientá-los e o que cobrar ou não deles", comenta. Com a versão inicial do regimento em mãos, pais e alunos foram chamados. As famílias entenderam que não tinham a obrigação de ensinar os conteúdos escolares, mas precisavam acompanhar as crianças, saber os horários delas, garantir que frequentassem as aulas, entregassem as tarefas etc. "As reuniões passaram a ficar lotadas. Hoje, parecem assembleias. Temos mil alunos e 600 pais comparecem", comemora Maria de Fátima.

O documento passou a ser reelaborado periodicamente, com a participação de todos. A escola é rígida com horários, e a diretora não abre mão dos combinados feitos com os estudantes. "Eles têm direito por lei a uma aula completa. Temos de garantir isso", diz. Em todas as salas, há o número máximo de alunos permitido. "Essa é a melhor escola da região e temos fila de espera. Não posso me dar ao luxo de deixar carteiras vazias."


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Publicado em NOVA ESCOLA Edição 277, Novembro 2014. Título original: Foco na aprendizagem
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