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O que tem dentro deste cesto?

Diferentes objetos instigam os sentidos e levam a turma a uma exploração atenta

Beatriz Santomauro. Colaborou Elisa Meirelles

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=== PARTE 1 ====

"Quando colocamos os pequenos em frente a um cesto cheio de objetos e eles começam a explorá-los, basta observar um pouco para saber o que estão sentindo. Uns sorriem quando pegam um retalho de camurça, outros tiram a mão rapidamente se encostam na lixa e muitos ficam curtindo a maciez do algodão no rosto." A declaração é da professora Kátia Maldonado dos Santos, da CEINF Iber Gomes de Sá, em Campo Grande. A cada 15 dias, ela organiza um cesto repleto de materiais instigantes e o apresenta à turma, com bebês de 10 meses a 1 ano e meio.

A atividade é realizada com o objetivo de estimular os sentidos - tato, olfato, paladar, audição e visão - além do movimento corporal. Como explicam as pesquisadoras inglesas Elinor Goldschmied (1910-2009) e Sonia Jackson no livro Educação de 0 a 3 Anos: o Atendimento em Creche (321 págs., Ed. Artmed, tel. 0800-703-3444, 59 reais), trata-se de uma opção interessante para que a criança investigue o mundo ao seu redor. Ao observá-la interagindo com os objetos contidos no cesto, fica clara a quantidade de coisas diferentes que faz: olha, toca e apanha o material, o coloca na boca, lambe e balança, bate com ele no chão, derruba, descarta o que não atrai, faz uma seleção e junta vários, por exemplo.

As duas explicam que, nessa fase, os pequenos se desenvolvem ao responder às informações recebidas por meio dos sentidos. "O cesto consiste em uma maneira de assegurar a riqueza de experiências do bebê em um momento em que o cérebro está pronto para receber, fazer conexões e assim utilizar essas informações", escrevem.

Para que a atividade tenha bons resultados, é importante ofertar às crianças uma rica variedade de objetos. A preocupação esteve presente no trabalho realizado pela professora Kátia. Em uma atividade, ela dá ênfase a sensações táteis e visuais, e reúne no cesto materiais como lixas, camurça, esponjas de aço e algodão. A meninada tem oportunidade de tocar cada objeto, sentir a textura, passar no rosto, colocar na boca e também observar a forma e a cor.

Na seção seguinte, a docente inclui no cesto garrafinhas de plástico transparente com diferentes quantidades de milho, sementes diversas ou arroz. "Os pequenos ficam muito curiosos porque, embora todas pareçam chocalhos, cada uma produz um som e tem um peso diferente", diz a educadora. Por meio da audição, as crianças se encantam ao perceber que podem fazer barulhos inusitados com esses materiais.

Outra proposta de Kátia foca a percepção no olfato e no paladar. Pedaços de maçã, laranja e limão entram no rol de itens selecionados. As crianças podem provar os gostos azedo e doce e sentir o cheiro das frutas. Nesse momento, também conhecem a textura e a consistência delas. "Variar os itens do cesto é interessante para que a turma possa sempre encontrar coisas novas, além daquelas que já conhece", explica Ana Paula Yazbek, diretora pedagógica do Espaço da Vila, na capital paulista.

As pesquisadoras inglesas recomendam também que os materiais selecionados não sejam brinquedos industrializados, mas itens comuns nas casas e de interesse da turma. É importante, obviamente, excluir objetos com cordas ou pontas cortantes, ou os que podem ser engolidos.

O sucesso da atividade depende ainda de um bom planejamento e da organização da turma, que deve ter diversas possibilidades de explorar o cesto. Na CEINF Iber Gomes de Sá, Kátia divide os pequenos em dois grupos: enquanto um está envolvido na descoberta dos objetos o outro faz um trabalho alternativo, sob a supervisão de duas auxiliares. "Percebi que quando todos os pequenos estavam reunidos em volta do cesto não era tão produtivo. Eles ficavam ansiosos esperando a vez e querendo disputar os itens", explica a professora. "Agora, procuro separar até 20 minutos para cada grupo." A proposta faz parte do rol de atividades permanentes planejadas por ela durante todo o ano.

=== PARTE 2 ====

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Publicado em NOVA ESCOLA Edição 265, Setembro 2013.
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