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Ecossistema

O que o Brasil faz para controlar as espécies exóticas invasoras?

Paula Sato

O Aedes aegypti, que transmite a dengue, é uma espécie invasora, que veio da África. Foto: Oscar Cabral. Clique para ampliar.
O Aedes aegypti, que transmite a dengue, 
é uma espécie invasora, que veio da África. 
Foto: Oscar Cabral. Clique para ampliar.

Desde que o homem começou a se deslocar de um ponto a outro do planeta, também passou a carregar consigo animais, plantas e microorganismos. Porém, demorou muito para que se percebesse que a espécie que está completamente adaptada a uma região pode simplesmente se tornar uma praga em outra. "Apesar de o fenômeno ser muito antigo, a preocupação é recente. Principalmente porque a situação se torna mais grave com a globalização", afirma Vivian Beck Pombo, bióloga do Departamento de Conservação da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Para encontrar meios de lidar com a questão, o MMA está trabalhando na elaboração da primeira lista de espécies exóticas invasoras do Brasil. Sem data prevista para ser lançado, o documento é um esforço de pesquisadores de todos os estados brasileiros, que estão empenhados em fiscalizar a ocorrência de seres vivos que não são nativos do nosso país.

Para entender melhor a questão, primeiro é preciso conhecer os conceitos de espécies exóticas e invasoras. No primeiro caso se encaixam os organismos que estão fora da sua área de distribuição natural. Como um peixe que é nativo da Bacia do Amazonas mas é encontrado no rio Paraná. As exóticas podem se adaptar ao novo lar sem causar nenhum problema. Porém, também pode acontecer de um animal ou planta causar alterações negativas ao meio ambiente, por exemplo, extinguindo outras espécies, mudando o regime de nutrientes do habitat ou alterando a disponibilidade de alimentos. Nesse caso, é chamada de exótica invasora. De acordo com dados preliminares, o MMA calcula que existem mais de 500 espécies exóticas no Brasil. Destas, cerca de 150 poderiam ser consideradas invasoras.

A introdução de novas espécies em um habitat pode acontecer das mais diversas formas. Mas a distinção principal está entre aquelas que foram trazidas ao país intencionalmente e as que vieram sem querer. Na primeira leva estão árvores ornamentais ou que fazem a estabilização do solo e que, no fim, podem virar um problema. Foi o que aconteceu com os pinheiros do gênero pinus, originais da América do Norte e plantados no sul do Brasil para a produção de madeira. Hoje, essa planta se tornou uma invasora que causa grandes prejuízos ao ecossistema local. Em campos abertos, por exemplo, sua copa provoca sombreamento, prejudicando os vegetais que vivem junto ao solo. Outro caso é de espécies trazidas sem intenção, como é o caso do mexilhão dourado, proveniente da Ásia. Ele chegou à América do Sul em navios argentinos e acabou parando no Rio Grande do Sul. "Esse bivalve se incrusta em estruturas e, por isso, causou muitos problemas em turbinas de hidrelétricas e nas tubulações de condução de água potável", conta Vivian Pombo. Desde 2004, o MMA tem uma rede de pesquisadores que estuda o mexilhão dourado e faz seu monitoramento, buscando inclusive formas de erradicá-lo.

Por enquanto, a lista de espécies exóticas invasoras será apenas um guia. As medidas a serem tomadas contra o problema ainda serão debatidas, mas o controle precisa ser feito de acordo com cada espécie e de cada região. "Além da lista, estamos trabalhando na elaboração de um documento com uma estratégia nacional para prevenção, controle, monitoramento, manejo e, se possível, erradicação dessas espécies. Mas as ações dependem de vários ministérios, de uma legislação adequada, de fiscalização e integração entre órgãos de vigilância", diz Vivian Pombo. Por enquanto, o que já está sendo feito é controlar a introdução de novas espécies no Brasil. O trabalho é conduzido pelo IBAMA, que faz uma análise de risco antes de permitir que sejam importados animais ou plantas de outras regiões do planeta.

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Publicado em Junho 2009,

 

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